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Dormir com vizinhos barulhentos

Um barulho que não se espera acorda; um barulho constante, não. É todo o princípio do mascaramento, e é a única coisa que funciona quando não se pode calar o vizinho nem mudar de casa.

Mascarar, não encobrir

O instinto é colocar um som mais alto que o barulho. Aí está o erro: dois barulhos altos se notam mais que um, e o volume passa a ser o incômodo. O que funciona é reduzir o contraste: a diferença entre o silêncio do quarto e o pico sonoro do lado.

Um som contínuo em nível baixo levanta o piso de ruído. A porta que bate à meia-noite passa então de “silêncio, depois pancada” para “fundo regular, depois pancada leve”. O despertar vem da diferença, não do nível absoluto.

Consequência prática: o volume certo é logo acima do barulho que se quer mascarar, não mais. Se você precisa subir muito, o som está mal escolhido.

Vozes, uma televisão

ruído branco

A fala vive entre 250 Hz e 4 kHz, e o ruído branco coloca ali tanta energia quanto nos graves. É o único dos três que mascara de verdade uma conversa através de uma parede, ou uma televisão deixada ligada.

O mais eficaz contra vizinhos, o menos agradável por oito horas.

Passos, móveis, um piso

ruído marrom

Os impactos e os graves atravessam paredes melhor que os agudos. O ruído marrom tem sua energia no mesmo lugar: um ronco surdo, como um fluxo de ar distante, que absorve os impactos sem chiar.

O mais suportável por uma noite inteira, e a primeira tentativa a recomendar.

Uma rua, um cruzamento

chuva fina

O trânsito já é um barulho largo e contínuo; acrescentar um sopro mecânico dá dois barulhos. Uma chuva fina se mistura melhor, porque o ouvido a aceita como uma só textura em vez de duas fontes.

Também a melhor opção quando a janela precisa ficar aberta.

Uma festa, um ritmo regular

não conte com isso

O grave de um som através de um teto não se mascara: é alto demais e ritmado demais. Nenhum som ambiente vai bastar, e dizer o contrário lhe custaria mais uma noite.

Protetores auriculares, ou a conversa que você adia há três semanas.

A regra dos três ajustes

O volume: suba até o barulho incômodo ficar indistinto, e então desça um passo. O som deve estar ali sem que você o escute.

A duração: se a vizinhança fica barulhenta até uma da manhã, um temporizador de 30 minutos te deixa sozinho pelo resto. É o único caso em que a reprodução sem fim é o ajuste certo e não um conforto.

O lugar do telefone: não na mesa de cabeceira contra o ouvido, mas entre você e a fonte do barulho. O som deve vir do mesmo lado do que ele mascara.

Duas misturas para um prédio

Parede geminada

vozes, uma televisão do outro lado
Ruído branco
Chuva fina

O andar de cima

passos, uma cadeira arrastada
Ruído marrom
Ventilador

Os ruídos contínuos são gratuitos

O ruído branco é um dos quatro sons incluídos, sem limite de duração: você pode testar o mascaramento hoje à noite sem pagar nada. iPhone e Android.

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